Pela saúde da santa!

Hoje tive a felicidade de passar a maior parte do meu dia num hospital público. Estava sol, e até nem estava frio. Podía ter ido passear ou até, num acto de loucura, ter ido trabalhar. Mas não, fui ao hospital. Não para me curar, que isso, sabe deus, nem o mais iluminado dos médicos lá chegaría. Fui acompanhar um familiar. E só tenho a dizer uma coisa: delírio!
Acho que o Estado devía financiar cursos de formação para quem se quer arriscar no fabuloso mundo dos hospitais. Todo o processo está feito a pensar em quem já está “batido” nestas andanças. Não é o meu caso, muito menos do paciente que resolvi acompanhar.
Como ainda não está disponível tal formação, aqui vos deixo algumas linhas mestras para se coserem:
1 – Ao entrar pela porta que diz urgência, por estranho que pareça, não nos deparamos com um cenário tipo ER ou Anatomia de Grey. Há ambulâncias sim senhor, e na sua maioria bem bonitas, mas tirando isso, nada. Pensava eu, na minha ignorância, que ao entrar por aquela porta, acompanhado de uma criatura com uma óbvia dor aguda e sinais bem visíveis de ferimentos, sería imediatamente atendido por uma “catrefa” de médicos e enfermeiras prontos a sacar de tubos e estetoscópios para tratar daquele ser. Népias. Afinal parece que é preciso ir primeiro para uma fila, informar que se quer ser tratado com urgência, e pagar 19.xx euros. E esperar.
2 – Após uma curta espera (do meu ponto de vista, porque do lado do paciente, pareceram-lhe horas a avaliar pelo ar de ódio com que olhava para todos os que se arriscavam a passar-lhe à frente com ar de profissional de saúde), fomos chamados. Pensei eu que, afinal, diz-se mal dos serviços de saúde, mas até foi rápido e daí a meia horita estaríamos todos em casa. Isso é que era bom.
3 – “Então de que é que se queixa?” blá blá blá…. “Pois, vai ter de ir a outro hospital, porque nós aqui não temos a especialidade de que precisa”. Boa pensei eu. Isto promete.
4 – Chegados ao novo hospital, desta vez dos grandes, repete-se o processo, mas desta vez a espera foi de hora e meia. Para a consulta com um especialista? Não! Isso sería demasiado simples. Não se pode confiar numa carta escrita por outro médico de outro hospital, a informar que precisa de um especialista. Não. Tem de contorcer-se com dores durante hora e meia, até ser chamado para uma coisa chamada “triagem”! Aí sim, uma criatura com ar enfadado, terá nas suas mãos o poder de decidir para onde mandar o paciente, e com que grau de urgência. E é pela côr. Foi-nos atribuída a côr laranja (digo “foi-nos”, porque eu próprio já estava a ficar doente). Ao que parece é uma boa côr. Só há outra acima dessa, a vermelha. Mas essa deve estar guardada para quem entra incompleto, ou sem saber dizer o nome completo. Sortudos!
5 – Com uma pulseira cor de laranja, a coisa parece começar a correr mais depressa. Corrida para o especialista. Parecía competente. Mas o pior foi quando, em resposta à sugestão de um colega “é melhor ir já levar com um analgésico”, a resposta foi: “pois é, eu é que não consigo imprimir o raio do papel” enquanto dava reais castanhadas na gaveta da impressora. O papel lá saíu.
Corrida para uma sala onde é administrado analgésico intravenoso (estou a tornar-me um profissional). Dizem-me que não posso ali estar, e que tenho de esperar lá fora.
6 – Ora, para mim a expressão “lá fora”, neste caso, significava fora da sala, por perto, de modo a poder ser chamado, quando o processo estivesse terminado. Mas isso é na minha cabeça. Quando após duas horas e quarenta e cinco minutos de espera, resolvi entrar sem ligar nenhuma ao sinal de “proibída a entrada”, perguntaram-me “só agora? estamos a chamá-lo há mais de uma hora!”. “Mas estive sempre ali à porta!”. “Aqui à porta? mas devia ter ido para a sala de espera número 4 (que fica a cerca de 100 metros dali). “Então foi por isso que não ouviu chamar pelo sistema de som!”. Achei que não valia a pena perder tempo a explicar o meu conceito de “lá fora”, nem o facto de “lá fora” (no meu conceito), também estar uma placa a dizer “sala de espera número dois!”. Voltemos ao especialista.
7 – Esperámos à porta. Vinte minutos, apesar de o papel colocado na porta, nos garantir que, pela cor da “nossa” pulseira, iríamos esperar no máximo dez. Tome lá receita, e tome lá um papel para vir cá na segunda-feira para vermos isso. “Podemos ir embora?” perguntei. Parece que não. A receita tem de ser carimbada num local, e o papel para lá voltar significa só que tenho um papel para lá poder voltar. Eu explico: aquele papel só serve para eu saber que devo ir a outro lado, marcar então uma consulta para o dia estipulado.
Para a hora escrita no papel? “era bom era!” (sic).

~ por informaxao em 18/02/2009.

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